terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Leituras para 2012 VII
A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan. Ed. Intrínseca.
O livro, ambientado entre São Francisco dos anos 70 a Nova York por volta de 2020 (!), percorre a trajetória da banda (fictícia) The Conduits, recheado de referências pop.
Sedento para conhecer o mundo daqui a dez anos!
Leituras para 2012 VI
(Saiu do formo!)
1922 - A Semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves. Companhia das Letras.
Oswald, Mário, Bandeira, Tarsila, Anita, Pagu, Villa-Lobos... Mais um relato sobre a tal da "Semana de 22".
Leituras para 2012 V
(Sai no 2º semestre)
1Q84, de Haruki Murakami. Ed. Alfaguara.
Inédito no Brasil, neste ano saem os dois primeiros livros da trilogia "1Q84".
Leituras para 2012 IV
(Saiu ano passado)
Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá. Ed. Panini
Os gêmeos forraram a estante de prêmios com esta HQ. O livro relata as mortes de Brás de Oliva Domingos, num misto de reflexões do cotidiano e disparates existencialistas. Parece bom, hein?!
Leituras para 2012 III
Asterios Polyp, de David Mazzucchelli. Quadrinhos na Companhia / Companhia das Letras.
Leituras para 2012 II
(Sai em março)
A brincadeira favorita, de Leonard Cohen.
Leonard Cohen já tinha se aposentado, quando descobriu, ano retrasado, um rombo estratosférico em sua conta corrente, aplicado pela sua empresária. Voltou à ativa, para nossa sorte. Acaba de lançar um disco de inéditas e seu romance, escrito nos anos 60, nem um pouco obsoleto, meio autobiográfico e (acho que) genial.
Leituras para 2012
(Sem previsão de lançamento)
Jogador Número 1, Ernest Cline. Ed. Leya.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Iconografia
Disparate iconográfico entre a vela
que se apaga com a força do vento
assoprada entre os ovos
trocados pelos de avestruz
em revide
aos profanos ovos de galinha
ponha Magritte
para carregar um caminhão de ovos
em suas pinceladas
sem botar filmes
em nossas cabeças
por Jean Narciso
O fascismo não foi
Agora, estamos concentrados
Prestem atenção:
O palhaço chegou
Reparou o público
E num gesto inesperado
- Que palhaçada!
Sol nasce
Mar
As ondas chocam-se em minhas pernas
Eu absorto
Olhar solto longe depois de um ponto
Lá
É lindo
Emociona até
Eu?
Eu largado parasempre
O discurso igualíssimo
Mesmice sempre
Intensidade circular
Cachorro atrás do rabo
Roupa bem tecida
Cores várias
Diferentes modelitos
Muda de canal
Adjetivos?
Bastantes
E o corpo?
Nu e promíscuo
O mundo?
O da aparência
Eu ando pelas ruas
Elas parecem
As pessoas parecem que desejam
O desejo reporta-sea algo grandioso
Na esquina, mendigos se acotovelam
Aquela moça ali sorri
Sinto que a realidade partiu
Nem avisou-me de sua partida
Quem me dera poder abraçá-la
E o mundo cobre-sede uma nuvem
Gente
Sossego
Cada um é filosofo de si mesmo
O mundo caminha
Nós vamos pra lá
Sei lá
Mas o mundo muda
Não aborreça
Não se aborreça
Porque o rio corre ao mar
Sou sobrevivente
É
Faço a mesmice mesmo
Meu ritual?
Todos os dias,
Levo a água ao moinho do capital
Faço esse ritual religiosamente
Obedientemente
É incrível
Já até me adestraram
Se há bomba
Ela tem que explodir
Inventa-se umaguerra
Aquele povo lá tema cara torta
Se há polícia
Tem que havertambém repressão
Precisa tersegurança
Quem anda inseguro?
Por quê?
Se fabricamremédios
É preciso criar doenças
E se todos sararem
Oras, fabricam novos remédios
Um mundo bastante estranho
Bizarro até
Não é!
Reparem
A roupagem é azul
Mas na verdade, gostariam que fosse verde
Falam assim, assado
Entretanto queriam expressar isto e aquilo
Oras bolas
Por que então não dizer: isto e aquilo?
É que...
por Pedro Luiz
Reclame - Chacal
a seus olhos, uselentes
... ou transforme omundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
por Pedro Luiz
O brinquedo
A prótese
sábado, 7 de janeiro de 2012
Corpo vivido
Nada permanece em mim
Nada absolutamente nada
dias
para a imaginação manual
de um texto egípcio
me apego a realidade das gravuras
em silêncio
expulso momentaneamente o desejo
que sai líquido, triste e sujo.
por Jean Narciso
Caixinha
prometida para ser aberta
com sossego no dia do casamento
enfiaria minha chave japonesa
em sua caixinha.
por Jean Narciso
Impropérios sacros
na parte frontal da bunda da sua reminiscência
mergulho em teu líquido
santifico o teu sal
com uma linda oração de Eros em teu ouvido
que escuta apenas a comunicação espontânea do corpo.
por Jean Narciso
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Ai seu eu te pego
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Marlene
Anjo romano
adorado de modo bucólico
pela mulher helena
que todos os dias passa por aqui
esquecendo o aspecto facial da obra de arte.
Grácil helena de cintura vulcânica
de erupção inédita
oculta infinda maciez na boca
Percurso incomum na língua
hoje quando amanheci estátua
a supreendi rezando de joelho
para o meu anjo
por Jean Narciso
Sons surdos
com peso de música
dó ré mi fá só lá si
unidas em roda
sopram sonoridades
na boca apática
O silêncio
contrito ávido austero
assiste o engate imprevisto
do corpo ao jardim promíscuo
folhas de ipê amarelo retumbam
em cima de pretéritos dias
cerrados numa caixa adulta
por Jean Narciso
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Santos são feitos de carne e osso
As traquitanas de Álvaro Campos
“Nós não estamos só em nós mesmos, certos objetos conservam a memória do que somos”
Quando Álvaro Campos morreu deixou aos filhos a incumbência de desfazeremde suas coisas doando-as, vendendo-as ou simplesmente consumindo-as no fogo.Nada além do que estava estipulado em testamento deveriam os filhos conservarpara si. Dizia ele que “há objetos que possuímos porque narram algo de nossahistória, mas uma história que compete apenas a nós contarmos. São essastraquitanas que vamos acumulando no porão, e que, vez ou outra, numa arrumação,encontramos e despertam nossa memória. Só em nós elas despertam sensações, sentimentos,emoções particulares. Elas precisam de nós para terem sentido, sem a nossapresença elas se apagam.” Feito, então, a partilha dos bens, os filhos de ÁlvaroCampos, num domingo, reuniram-se para decidirem o que fazer com as traquitanasdo pai. Desceram ao porão, reviraram-no todo, foram desentranhando uma montanhade coisas que iam separando umas para serem doadas, outras para serem vendidas,outras para serem queimadas, não pareceu-lhes difícil decidir em que categoriacolocar cada coisa. A certa altura, o mais moço encontrou um botão de camisa,lágrimas escorreu-lhe nos olhos, um outro dava saltos de alegria, calçando umvelho par de sapatos, outro contava animado um fato qualquer, segurando umacaneca de porcelana ... O fato é que passados vinte anos, os filhos de Álvaro Camposainda não saíram do porão. Ora choram. Ora riem. Ora cantam...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Finados
Não considero a morte uma ausência, porque oscorpos desfeitos em cinzas ou re-misturados à terra, não nos abandonam. Elesconvivem ao nosso lado, nos visitam em sonhos e mesmo enquanto caminhamos porcaminhos que fizemos juntos. Quando meu padrinho morreu, ele foi velado em casa.As mulheres rezavam. Os homens ao redor da fogueira, contavam causos. Meupadrinho entre eles sorria-me. Tinha eu oito anos. Ainda o vejo de pito emboca, conversando com pai na varanda. Quando os moleques descem a rua em seuscarrinhos de rolimã, entre eles está o primo, cantarolando Tim Maia. E tia Mailsa,ainda aparece-me entre as frestas de portas. Mas não são apenas pessoas quecompõem meu universo. Leão, o vira lata de pêlos amarelos, ainda balança o raboe saltita quando abro o portão. Tenho a impressão que é Bolinha, “esta cadelaordinária”, quem esconde meu chinelo. E tem manhãs que me desperto com o cantodo Cardenal, o canarinho de tia Sabastiana. Tem ainda os brinquedos, os gestos,as situações, que visitam-me sempre. Carrego, por exemplo, uma flor, a primeiraque dei acompanhada do beijo que tanto esperei e não veio. Às vezes a vejoentre as rosas de meu jardim. Acho graça. O Ipê amarelo já não existe mais. Masnão tem como passar por esta rua e não vê-lo. O cheiro de chuva trás sempreconsigo o de bolinhos de trigo e café adoçado com rapadura. E o café que solvotem este sabor. Vendo as crianças brincando, brinco com Salomé, a boneca de retalhosque tia Sabastiana fez para Naninha, como eu gostava daquela boneca mais queNaninha. “Homem não brinca com bonecas”, ralhava pai... Morrer é apenas um jogode esconde-esconde. E Não somos nós que achamos nossos mortos, eles nos procuram. Eu não saberia viver sem esta relação.
domingo, 23 de outubro de 2011
O depilador
Quando criança eu li ahistória de um bandido que roubava calcinhas. Ele abordava suas vitimas, asimobilizava e roubava-lhes a calcinha. O crime só veio às paginas dos jornais,porque uma das vitimas, esperando mais que a simples perca da peça sentiu-sefrustrada. Ela nutria certas fantasias e quando abordada pelo bandido,acreditou que estava prestes a realizá-las. Mas quando percebeu que o sujeito,após subtrair-lhe a calcinha saiu em disparada, sem nem mesmo tocá-la, seindignou, subindo-lhe um furor jamais sentido. “Deu pena”, disse o delegado, “domeliante”... Porque estou a lembrar-me desta banalidade? É que o sujeito em seudepoimento dizia agir por intersecção de um espírito. Eu nunca acreditei nestascoisas e sempre que alguém me dizia ter composto algo ou realizado algo por intercessãode algum espírito eu lembrava-me deste fato. Um outro fato é o Rubião, umtraquineiro que morava próximo à minha casa. Tínhamos muito medo de Rubião, queaproveitava para tirar-nos dinheiro e merenda. Certa feita, chamada na escola,a mãe disse que Rubião era o que era, não por ele, mas devido ao Zé Pilintraque o incorporava. Eu sei que eu tinha medo de Rubião e o evitava. Um dia oamarraram no poste e deram uma surra nele. Os irmãos Lee aproveitaram a visitade uns primos. A mãe foi reclamar. “Não foi no Rubião que batemos não, tia. Foino Zé Pilantra”. O certo é que Rubião e a irmã dos Lee formam hoje um belocasal. Então eu achava graça destashistórias de intercessão,possessão, psicografia e coisas do gênero. E quando o padre disse que não eraele, mas o Cristo que ouvia minha confissão, eu ri e disse-lhe: “padre, euconfesso: Sou o Jack Estripador”. Eu não acreditava nestas coisas. Repito, nãoacreditava. Mas, nada melhor que morrer para que as coisas se esclareçam...Coitado deste sujeito, como ele irá convencer os seus que quem o possui é um espíritoque teve aulas com Jack, o Depilador. Com o outro já não tinha mais vaga, e afila de espera chega ao próximo século...
* http://megacanal.wordpress.com/2011/10/21/espirito-do-piloto-ayrton-senna-e-psicografada-pela-medium-carmem-tiepolo/
terça-feira, 18 de outubro de 2011
A cena
Na delegacia Carolyne explicou que o gato tinha sido apenas umtexte... Quando perguntei-lhe da cabeça, ela me levou até a boneca:“Eu havia avisado!”
sábado, 15 de outubro de 2011
recicle garrafa pet
latinha de refri
bunda
papel
fora de foco
ao tomar banho
feche a torneira
e ensaboe
não jogue lixo no rio Tietê
coloque botox
na cara
n perna
na bunda
no nariz
cuide do verde
fora de foco
ao escovar os dentes
feche a torneira
fora de foco
Vamos parar com essa bobajada
"Expludamos" já a propriedade privada
Porque não adianta, sozinho, dinamitar a Ilha de Manhattan.
por Pedro Luiz da Silva
Amoris Mater
O valor de um presente
sábado, 8 de outubro de 2011
A maçã envenenada de Steven Jobs
por Luciano Melo
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
por Pedro Luiz da Silva
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Lançamento de "Vacuos Mundi"
No dia 17, o evento se dará no "Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi", à rua Bejamin Constant, 682 - Suzano, centro.
No dia 24 de setembro, na "Associação Cultural Opereta", à rua Dr. Emilio Ribas, 158, Poá, centro.
Nestas mesmas datas, estará sendo lançado também o livro "Memórias de Onã", de Marco Aurélio P. Maida, que também já colaborou neste espaço.
Em breve, mais detalhes dos lançamentos.
Onã
A meu Compadre Marco Maida que em breve lança "Memórias de Onã"
Chegou em casa por volta das onze. Deixou os livros e os diários sobre o sofá. Passou pela cozinha abriu a geladeira pegou uma cerveja. As crianças e a esposa dormem. Entra no banheiro. Esvazia a cerveja; esvazia-se. Voltando pra sala pega outras duas cervejas. Liga a televisão zapea canal a canal nada o atrai. Pensa na número 38: “qual o nome dela mesmo”? Tem o nome da cunhada. Cochila, a latinha cai por terra... Por volta das duas desperta, na tela da televisão a 38 lhe faz um boquete. Ele ejacula. Abre a outra cerveja. Toma-a de uma vez. Vai pra cama. Às seis o relógio desperta. Levanta, toma banho, toma café, beija as crianças a esposa que apenas diz: “deixe a sala arrumada”.
por Claudio Domingos











