(Saiu do formo!)
A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan. Ed. Intrínseca.
O livro, ambientado entre São Francisco dos anos 70 a Nova York por volta de 2020 (!), percorre a trajetória da banda (fictícia) The Conduits, recheado de referências pop.
Sedento para conhecer o mundo daqui a dez anos!
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Leituras para 2012 VI
Da seção "Leituras para 2012", lá vai:
(Saiu do formo!)
1922 - A Semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves. Companhia das Letras.
Oswald, Mário, Bandeira, Tarsila, Anita, Pagu, Villa-Lobos... Mais um relato sobre a tal da "Semana de 22".
(Saiu do formo!)
1922 - A Semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves. Companhia das Letras.
Oswald, Mário, Bandeira, Tarsila, Anita, Pagu, Villa-Lobos... Mais um relato sobre a tal da "Semana de 22".
Leituras para 2012 V
Da seção "Leituras para 2012", lá vai:
(Sai no 2º semestre)
1Q84, de Haruki Murakami. Ed. Alfaguara.
Inédito no Brasil, neste ano saem os dois primeiros livros da trilogia "1Q84".
(Sai no 2º semestre)
1Q84, de Haruki Murakami. Ed. Alfaguara.
Inédito no Brasil, neste ano saem os dois primeiros livros da trilogia "1Q84".
Leituras para 2012 IV
Da seção "Leituras para 2012", lá vai:
(Saiu ano passado)
Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá. Ed. Panini
Os gêmeos forraram a estante de prêmios com esta HQ. O livro relata as mortes de Brás de Oliva Domingos, num misto de reflexões do cotidiano e disparates existencialistas. Parece bom, hein?!
(Saiu ano passado)
Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá. Ed. Panini
Os gêmeos forraram a estante de prêmios com esta HQ. O livro relata as mortes de Brás de Oliva Domingos, num misto de reflexões do cotidiano e disparates existencialistas. Parece bom, hein?!
Leituras para 2012 III
(Saiu ano passado)
Asterios Polyp, de David Mazzucchelli. Quadrinhos na Companhia / Companhia das Letras.
Asterios Polyp, de David Mazzucchelli. Quadrinhos na Companhia / Companhia das Letras.
É a mais premiada HQ de 2011! Conta a história de Asterios, um arrogante arquiteto que repassa sua vida após um incêndio em seu apartamento. Repleto de referências ao mundo da arte, as ilustrações são de tirar o fôlego. O autor, Mazzucchelli, é o mesmo de "Batman Ano I" e o "Demolidor: a queda de Murdock", ambos de Frank Miller.
Leituras para 2012 II
Da seção "Leituras para 2012", lá vai:
(Sai em março)
A brincadeira favorita, de Leonard Cohen.
Leonard Cohen já tinha se aposentado, quando descobriu, ano retrasado, um rombo estratosférico em sua conta corrente, aplicado pela sua empresária. Voltou à ativa, para nossa sorte. Acaba de lançar um disco de inéditas e seu romance, escrito nos anos 60, nem um pouco obsoleto, meio autobiográfico e (acho que) genial.
(Sai em março)
A brincadeira favorita, de Leonard Cohen.
Leonard Cohen já tinha se aposentado, quando descobriu, ano retrasado, um rombo estratosférico em sua conta corrente, aplicado pela sua empresária. Voltou à ativa, para nossa sorte. Acaba de lançar um disco de inéditas e seu romance, escrito nos anos 60, nem um pouco obsoleto, meio autobiográfico e (acho que) genial.
Leituras para 2012
Da seção "Leituras para 2012", lá vai:
(Sem previsão de lançamento)
Jogador Número 1, Ernest Cline. Ed. Leya.
(Sem previsão de lançamento)
Jogador Número 1, Ernest Cline. Ed. Leya.
Livro de nerd, confesso. Num longínquo futuro, as pessoas têm uma vida virtual dentro de um jogo (second life), denominado OASIS. Quando o criador do jogo morre, os jogadores descobrem que toda sua fortuna está escondida numa espécie de "caça ao tesouro", repleta de enigmas dos anos 80 e 90, entre games, filmes e músicas da época. É neste contexto que o livro acompanha Wade Watts, um adolescente nerd e, óbvio, o jogador número 1.
Em menos de um ano, o livro vira filme 3D, quadrinho, game, agenda etc.
E objeto de nerd, claro. E meu também.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Iconografia
para o Luciano
Disparate iconográfico entre a vela
que se apaga com a força do vento
assoprada entre os ovos
trocados pelos de avestruz
em revide
aos profanos ovos de galinha
ponha Magritte
para carregar um caminhão de ovos
em suas pinceladas
sem botar filmes
em nossas cabeças
por Jean Narciso
Disparate iconográfico entre a vela
que se apaga com a força do vento
assoprada entre os ovos
trocados pelos de avestruz
em revide
aos profanos ovos de galinha
ponha Magritte
para carregar um caminhão de ovos
em suas pinceladas
sem botar filmes
em nossas cabeças
por Jean Narciso
O fascismo não foi
Tornou-se legal
Agora, estamos concentrados
Prestem atenção:
O palhaço chegou
Reparou o público
E num gesto inesperado
- Que palhaçada!
Sol nasce
Mar
As ondas chocam-se em minhas pernas
Eu absorto
Olhar solto longe depois de um ponto
Lá
É lindo
Emociona até
Eu?
Eu largado parasempre
O discurso igualíssimo
Mesmice sempre
Intensidade circular
Cachorro atrás do rabo
Roupa bem tecida
Cores várias
Diferentes modelitos
Muda de canal
Adjetivos?
Bastantes
E o corpo?
Nu e promíscuo
O mundo?
O da aparência
Eu ando pelas ruas
Elas parecem
As pessoas parecem que desejam
O desejo reporta-sea algo grandioso
Na esquina, mendigos se acotovelam
Aquela moça ali sorri
Sinto que a realidade partiu
Nem avisou-me de sua partida
Quem me dera poder abraçá-la
E o mundo cobre-sede uma nuvem
Gente
Sossego
Cada um é filosofo de si mesmo
O mundo caminha
Nós vamos pra lá
Sei lá
Mas o mundo muda
Não aborreça
Não se aborreça
Porque o rio corre ao mar
Sou sobrevivente
É
Faço a mesmice mesmo
Meu ritual?
Todos os dias,
Levo a água ao moinho do capital
Faço esse ritual religiosamente
Obedientemente
É incrível
Já até me adestraram
Se há bomba
Ela tem que explodir
Inventa-se umaguerra
Aquele povo lá tema cara torta
Se há polícia
Tem que havertambém repressão
Precisa tersegurança
Quem anda inseguro?
Por quê?
Se fabricamremédios
É preciso criar doenças
E se todos sararem
Oras, fabricam novos remédios
Um mundo bastante estranho
Bizarro até
Não é!
Reparem
A roupagem é azul
Mas na verdade, gostariam que fosse verde
Falam assim, assado
Entretanto queriam expressar isto e aquilo
Oras bolas
Por que então não dizer: isto e aquilo?
É que...
por Pedro Luiz
Agora, estamos concentrados
Prestem atenção:
O palhaço chegou
Reparou o público
E num gesto inesperado
- Que palhaçada!
Sol nasce
Mar
As ondas chocam-se em minhas pernas
Eu absorto
Olhar solto longe depois de um ponto
Lá
É lindo
Emociona até
Eu?
Eu largado parasempre
O discurso igualíssimo
Mesmice sempre
Intensidade circular
Cachorro atrás do rabo
Roupa bem tecida
Cores várias
Diferentes modelitos
Muda de canal
Adjetivos?
Bastantes
E o corpo?
Nu e promíscuo
O mundo?
O da aparência
Eu ando pelas ruas
Elas parecem
As pessoas parecem que desejam
O desejo reporta-sea algo grandioso
Na esquina, mendigos se acotovelam
Aquela moça ali sorri
Sinto que a realidade partiu
Nem avisou-me de sua partida
Quem me dera poder abraçá-la
E o mundo cobre-sede uma nuvem
Gente
Sossego
Cada um é filosofo de si mesmo
O mundo caminha
Nós vamos pra lá
Sei lá
Mas o mundo muda
Não aborreça
Não se aborreça
Porque o rio corre ao mar
Sou sobrevivente
É
Faço a mesmice mesmo
Meu ritual?
Todos os dias,
Levo a água ao moinho do capital
Faço esse ritual religiosamente
Obedientemente
É incrível
Já até me adestraram
Se há bomba
Ela tem que explodir
Inventa-se umaguerra
Aquele povo lá tema cara torta
Se há polícia
Tem que havertambém repressão
Precisa tersegurança
Quem anda inseguro?
Por quê?
Se fabricamremédios
É preciso criar doenças
E se todos sararem
Oras, fabricam novos remédios
Um mundo bastante estranho
Bizarro até
Não é!
Reparem
A roupagem é azul
Mas na verdade, gostariam que fosse verde
Falam assim, assado
Entretanto queriam expressar isto e aquilo
Oras bolas
Por que então não dizer: isto e aquilo?
É que...
por Pedro Luiz
Reclame - Chacal
Se o mundo não vaibem
a seus olhos, uselentes
... ou transforme omundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
por Pedro Luiz
a seus olhos, uselentes
... ou transforme omundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
por Pedro Luiz
O brinquedo
A história que meu compadre contou foi bem outra, mas...
Alzemira sempre teve vontade de entrar em um sex shopping. Mas receava ser vista por alguma congregada: “o que iriam dizer as irmãs?”, pensava. Ainda mais que em suas pregações, Atalberto, o marido e pastor da Igreja só Deus Ama e do jeito dele, era veemente em atacar qualquer mínima escorregadela libidinosa dos congregados. Bastava um suspiro, um desviar de olhos, para Atalberto condenar o pobre cristão ao fogo eterno. E Alzemira desviava o olhar, mudava caminho, trocava calçada, mas estava ela sempre em frente “à porta do inferno”, olhos pregados e curiosos em suas vitrines. E já não conseguia dormir à noite, acordava transpirando, ofegando, garganta seca. Um dia Alzemira tomou coragem e entrou, receosa, temerosa, ávida corria os olhos pela infinidade de artigos ali expostos, encantou-se por um “dildo” de cor negra. Comprou-o e o guardou na bolsa que carregou como quem anda nua pelas ruas, sentido o olhar de todos sobre si. Alzemira, chegando em casa certificou-se de que Atalberto não estava, trancou-se no banheiro e brincou demoradamente. Depois tratou de camuflá-lo no fundo de uma gaveta. Toda vez que Atalberto toma a palavra e com efusão condenava a libidinagem, a descompostura, a falta de decoro das pessoas, condenando-as irremediavelmente, Alzemira se molhava em suor e penitenciando-se prometia dar fim “àquela coisa do demônio”. E foi assim, que certa tarde, Alzemira pretendendo dar fim ao seu “objeto de perdição“, procurou-o no fundo da gaveta, mas não o encontrou: “meu Deus, Atalberto!” Durante a janta ela evitou o olhar de Atalberto, esperando-o: “com certeza agora ele me esculacha, me bota para fora de casa...” Nada! Atalberto agiu como de costume. Alzemira passou dias revirando a casa a procura do “maldito objeto”, num misto de saudade, alívio, preocupação. Nada de encontrá-lo. Renunciava a perguntar às filhas. Certa noite, já se acostumando com o fato de ter perdido o “maldito objeto” e receando e desejando comprar um outro, Alzemira entra no escritório do marido: “Atalberto!... Seu Filho da...” “Calma querida...” Atalberto de calças na mão: “não é nada disso que você está pensando” ...
por Cláudio Domingos
A prótese
por Cláudio Domingos
Michelly Jhacson tinha um belocorpo: esguio, seios arredondados e firmes, não muito grandes, belas pernas eum bumbum que “só por Deus”, como dizia, Apolônio. Todos admiravam sua beleza,mesmo as meninas, que demonstravam uma pontinha de inveja. Apenas Khelly Key,com seus olhos azuis lhe era rival à altura. Quando Michelly passava,suspiravamos e nossos olhos a seguiam avaros. Michelly, no entanto encasquetaraque não era tão bonita como queriamos nós. Se olhava no espelho e não seconformava: os seios, sim!, os seios não lhe agradavam, pareciam-lhe pequenos.Michelly decidiu: “devo colocar protese!”. Michelly ficou, como dizia um amigo,“a gata”. Nem mesmo Khelly Key foi lhe pario, até que, também, recorreu à mágicada cirurgia estética. Michelly agora desfilava com satisfação seu corpo porentre nós, a quem dava-nos apenas este direito: de babar por ela. Michelly nãoqueria nada com “esses pés chatos do bairro”, como dizia. Ela sonhava com oestrelato, e vivia correndo atrás da oportunidade de participar destes realityque infestam a televisão. Uma vez chegou a participar de um programa de auditóriocomo Garota Morango. O fato é que, desde que começaram a sugir problemas com asproteses de silicone da PPI, Michelly anda acabrunhada. Ela chegou a ligar paraseu esteticista, que garantiu-lhe : “ eu trabalho com proteses rigorosamente avaliadas eregulamentadas pelos orgãos de saúde da Europa e Estados Unidos”. Mas Michellyencasquetara e, de modo quase doentio, se auto analizava repetidamente,receiando estar carregando um mal indelével em seu corpo. Do dia pra noite Michelly se apagou, passava por nós epercebiamos, não mais atração e desjo, mas preocupação por ela. A beleza de Michelly desaparecera entre seusreceios e o mal estar que estes receios lhe causavam, nos atingiam de algumaforma. Sofriamos com Michelly... Ontém Michelly acordou no meio da noite, levoua mão ao seio e sentiu o visgo, gelou súbito: “Meu Deus! Vazou!”. O espantomaior veio-lhe em seguida, quando sentiu algo sugando-lhe o outro seio. Um serinforme, gelatinoso, brotara de uma de suas proteses e se alimentava da outra.Michelly, passado o espanto: “menos mal, não é um cancer”.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Corpo vivido
O corpo vive na epiderme construída com a aridez das horas
Já passaram muitas horas
estou quase vinte anos mais idoso
do que o infante que mordia tímido as palavras
para não tirar o esmalte materno dos dentes.
Nada permanece em mim
que pode ser revisto e retomado
a pele das horas está anciã
as antigas meninas do jardim da infância
doravante gargalham erupção que vem debaixo
e faz espumar os belos e carnudos lábios.
Nada absolutamente nada
retorna inteiro ao corpo
a sobra das horas vividas
é espólio
guardada para ser saqueada
a qualquer instante na memória.
por Jean Narciso
dias
abertos fecho
para a imaginação manual
de um texto egípcio
me apego a realidade das gravuras
em silêncio
expulso momentaneamente o desejo
que sai líquido, triste e sujo.
por Jean Narciso
para a imaginação manual
de um texto egípcio
me apego a realidade das gravuras
em silêncio
expulso momentaneamente o desejo
que sai líquido, triste e sujo.
por Jean Narciso
Caixinha
Fosse a caixinha
prometida para ser aberta
com sossego no dia do casamento
enfiaria minha chave japonesa
em sua caixinha.
por Jean Narciso
prometida para ser aberta
com sossego no dia do casamento
enfiaria minha chave japonesa
em sua caixinha.
por Jean Narciso
Impropérios sacros
afundo a língua
na parte frontal da bunda da sua reminiscência
mergulho em teu líquido
santifico o teu sal
com uma linda oração de Eros em teu ouvido
que escuta apenas a comunicação espontânea do corpo.
por Jean Narciso
na parte frontal da bunda da sua reminiscência
mergulho em teu líquido
santifico o teu sal
com uma linda oração de Eros em teu ouvido
que escuta apenas a comunicação espontânea do corpo.
por Jean Narciso
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Ai seu eu te pego
Parece-me que a pegada esta semana é um certo Michel Teló, classificado por uma revista de circulação nacional como “tradutor de nossos valores culturais”. Eu ainda não me ative a ouvir o tal sujeito, sei apenas que sua música é classificada como Sertanejo Universitário. Neste sentido quero pontuar alguns mestres do Sertanejo que deveriam ser visitados antes de se nomear o mancebo tradutor de nossos valores culturais. Mesmo porque a música é um elemento entre tantos a ser considerado quando se trata de Cultura. Ela é apenas um aspecto de uma cultura, e não abarca, de maneira alguma, todos os seus valores. Então, seria de se perguntar: “quais valores a música de Michel Teló traduz? Esses valores são específicos de um segmento ou permeia o conjunto da sociedade? Para isto, eu deveria dedicar-me um pouco mais a fundo a sua produção musical e não apenas ao hit do momento. No entanto, tenho coisas menos importante, mas mais prazerosas a fazer: Vou ir construir castelos de areia com meus filhos. Não deixo de citar, porém, que Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho, Mato Grosso e Mathias, Milionário e José Rico, estes são nomes que me vêm em mente agora, têm composições magistrais que representam mais profundamente o imaginário simbólico do sertanejo urbano e rural, que esta batidinha que meu filho de dois anos repete a exaustão. Se ampliarmos o leque e considerarmos a música de modo geral, passando pelo popular e pelo regional: Pixiguinha, Adoniran Barbosa, Noel Rosa, Milton Nascimento, Sá e Guarabira, Belchior, Elis Regina, Chico Buarque, Ton Jobim, Lenine, Zeca Baleiro, Cazuza, Renato Russo, Chico Science, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Renato Teixeira, estes são os que eu, particularmente, freqüento, mas poderia citar outros trezentos nomes, são muito mais representativos da produção musical brasileira, que este rapaz. O fato de uma sua música, ou refrão dela, estar na boca de meus filhos de seis e dois anos que a repetem a exaustão assim como na cachola de alguma socialite ou figurão global não o tornam tradutor, de modo algum, de nossa cultura. Expressa sim o interesse de alguns segmentos, que é legitimo, visto que o seu produto é também mercadoria. Michel Teló é, na verdade, mais um fenômeno musical. Já tivemos outros: Claudinho e Buchecha, os Mamonas Assassinas, até ontem um tal Fiuk, por exemplo. Por fenômenos me interesso apenas pelos naturais que me causam estranheza e fascínio. Estes produzidos pela industria do espetáculo pouco me atraem. Mas por mim: deixem o menino cantar já que tem quem goste. Agora quem o colocou como tradutor dos valores de nossa cultura, ao invés de estar apenas a ouvir Sertanejo Universitário, deveria voltar a freqüentar os bancos da Universidade. Em especial, a cadeira de Antropologia Social. Então irá saber que nossos valores são muito mais complexos que se imagina e não cabem numa simples "banalidade musical", por mais sucesso que essa faça.
por Claudio Domingos Fernandes
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Marlene
Eu s
a
l
t
e
i
do quinto andar. Era noite.
Chov
Iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii iiiiiiiiiiiiiiiia
Como num flash os anos
1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973 ....................2001, 2002, 2003, 2004, 2005 ................2011, o beijo em Amanda, o acidente na Serra, a morte de Mauricio, Anitha se depilando para o primo, o primeiro carro do pai, a morte da mãe, o baile de quinze anos da prima e a chupetinha que ganhei de presente da aniversariante, a briga com o Arthuro que me deixou uma cicatriz no ombro, a transa com Anitha diante do primo, o diploma do colégio, da universidade, a primeira tentativa cortando os pulsos depois que Marlene foi embora, o primeiro beijo em Marlene, a primeira vez que meus olhos encontraram o sorriso de Marlene, o primeiro beijo em Marlene depois do cinema, o dia que transamos debaixo do altar..., perpassavam-me confusamente. Maaaaaaaaaaar
Tivesse eu pulado do décimo andar terminaria esta história....
por Claudio Domingos Fernandes
Anjo romano
Anjo de falo romano
adorado de modo bucólico
pela mulher helena
que todos os dias passa por aqui
esquecendo o aspecto facial da obra de arte.
Grácil helena de cintura vulcânica
de erupção inédita
oculta infinda maciez na boca
Percurso incomum na língua
hoje quando amanheci estátua
a supreendi rezando de joelho
para o meu anjo
por Jean Narciso
adorado de modo bucólico
pela mulher helena
que todos os dias passa por aqui
esquecendo o aspecto facial da obra de arte.
Grácil helena de cintura vulcânica
de erupção inédita
oculta infinda maciez na boca
Percurso incomum na língua
hoje quando amanheci estátua
a supreendi rezando de joelho
para o meu anjo
por Jean Narciso
Sons surdos
Amortecer o silêncio
com peso de música
dó ré mi fá só lá si
unidas em roda
sopram sonoridades
na boca apática
O silêncio
contrito ávido austero
assiste o engate imprevisto
do corpo ao jardim promíscuo
folhas de ipê amarelo retumbam
em cima de pretéritos dias
cerrados numa caixa adulta
por Jean Narciso
com peso de música
dó ré mi fá só lá si
unidas em roda
sopram sonoridades
na boca apática
O silêncio
contrito ávido austero
assiste o engate imprevisto
do corpo ao jardim promíscuo
folhas de ipê amarelo retumbam
em cima de pretéritos dias
cerrados numa caixa adulta
por Jean Narciso
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